Dois bonobos adotaram bebês fora de seu grupo, marcando a primeira vez deste comportamento observado em grandes símios.
A mãe bonobo Marie é engolfada pelas filhas biológicas Marina e Margaux (esquerda e direita), de 5 e 2 anos, e pela filha adotiva Flora (meio-baixo), de quase 3 anos. (Nahoko Tokuyama)
As mães adotivas alimentaram, carregaram e confortaram os bebês órfãos.
Por Carolyn Wilke
18 DE MARÇO DE 2021 ÀS 12:00 PM A
O cuidado e atenção maternos aparecem em todo o mundo animal, mas a adoção é mais rara, especialmente quando os jovens acolhidos não são parentes. Agora, os pesquisadores testemunharam bonobos adotando bebês de fora de suas próprias comunidades.

Dois bebês, com idade estimada de menos de 3 anos, ganharam mães adotivas fora de seu próprio bando de bonobos. Uma mãe chamada Marie (à esquerda) cuida de Flora (à direita), que ela adotou quando o bebê órfão apareceu em seu grupo social. NAHOKO TOKUYAMA
Duas fêmeas, cada uma de um grupo diferente de bonobos, na Reserva Científica Luo no Congo, se responsabilizaram pelos órfãos – cuidando deles, carregando-os e fornecendo comida por pelo menos um ano. Dois casos de não parentes adotados são conhecidos em outros primatas não humanos, mas esta é a primeira vez que foi observado em grandes macacos, relatam pesquisadores em 18 de março em Scientific Reports.
Durante uma semana em que os pesquisadores não puderam observar os bonobos, dois grupos ganharam um bebê cada. Uma mãe chamada Marie já cuidava de dois bebês quando adotou Flora, identificada por seus traços faciais e padrões de cores como anteriormente parte de outro grupo. Marie carregou e amamentou Flora e sua filha biológica mais nova e cuidou das três. “Ela parecia estar muito cansada, mas era uma ótima mãe”, diz Nahoko Tokuyama, primatologista da Universidade de Kyoto, no Japão. Às vezes, Marie favorecia seus filhos, diz Tokuyama, cuidando deles com mais frequência do que Flora.
Uma criança bonobo adotada chamada Flora (embaixo) brinca com um dos filhos biológicos de sua mãe adotiva. NAHOKO TOKUYAMA
Tokuyama e seus colegas também notaram que uma bonobo fêmea chamada Chio, com cerca de 50 anos, adotou um órfão que a equipe apelidou de Ruby. Embora Chio não estivesse produzindo leite, ela amamentou Ruby. Uma análise genética mostrou que nenhum dos bebês tinha parentesco materno com qualquer mulher do novo grupo.
Ver cuidar além do grupo “me surpreendeu”, diz Cat Hobaiter, etologista da Universidade de St. Andrews, na Escócia, que não fez parte do estudo. Os chimpanzés, por exemplo, podem adotar irmãos e órfãos não aparentados de sua camarilha. Mas os chimpanzés, que junto com os bonobos são os parentes evolutivos sobreviventes mais próximos dos humanos, podem ser hostis com crianças forasteiras e até mesmo matá-los.


